Como a cultura derruba os mitos do trabalho remoto? (Parte 2)

Claudia Alfaro
Posted by Claudia Alfaro on Mar 30, 2020 5:12:00 PM

Como a cultura derruba os mitos do trabalho, parte 2. Neste artigo, gostaria de relatar alguns dos mitos mais comuns que alguns colaboradores, líderes e organizações ainda têm sobre o trabalho remoto, e como aqui na Laboratória fazemos questão de derrubá-los em nosso dia a dia, especialmente neste cenário de COVID-19.

Mito nº 5: "A cultura organizacional é afetada porque não existe vínculo pessoal"

Trocar o contato físico pelo remoto deve ser a maior dificuldade desse formato, já que a cultura latinoamericana é marcada pela proximidade e o contato entre as pessoas. Em situações normais, a Laboratória sempre realiza reuniões regionais ou por sedes, contando com a participação de Laboratorians de outras localidades, incluindo aqueles que trabalham exclusivamente em modo remoto. É muito importante fazer reuniões em um espaço físico, pelo menos uma vez por ano, para vermos que a pessoa por trás da câmera é real. 

Entretanto, neste momento de distanciamento social, criar vínculos amistosos também é possível. Espaços virtuais, como chamadas de vídeo ou bate-papos, também podem ser usados para criar esse tipo de vínculo na organização. Aqui estão alguns exemplos de como a cultura de camaradagem é vivida na Laboratória por meio de ferramentas digitais:

Planejar um TikTok em equipe e criar um desafio para uma equipe de outra sede:

File from iOS

Alexandra, gerente de treinamento, Chile

Usar os diferentes fundos que o Zoom oferece para colorir a conversa:

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Jorge, gerente financeiro, Regional

Criar um canal no Slack onde as pessoas compartilham conteúdo variado ou se reúnem em um espaço de descontração fora do horário de trabalho.

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Criar um canal especial no Slack para falar sobre os sentimentos próprios do isolamento social e do trabalho remoto, e também para deixar dicas e palavras de incentivo.

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Mito nº 6: "Os dados da organização não ficam seguros na nuvem"

Entendemos que em muitas organizações os dados dos clientes devem estar seguros da melhor maneira possível. Porém, ao longo dos anos, a segurança cibernética aprimorou-se muito, e até mesmo grandes empresas de tecnologia utilizam esses serviços para guardar seus dados de maneira mais segura.

Outra vantagem do uso de serviços em nuvem é que o nível de expertise aumenta, já que não são apenas os gerentes de Saegurança da Informação da sua empresa que estarão no comando das operações, visto que também contam com a ajuda de outras pessoas mais especializadas para rever esses processos. As empresas que vendem esse tipo de serviço devem estar aprendendo muito, justamente porque esse é o conhecimento que eles colocam à disposição de suas equipes de segurança cibernética.

Embora o perigo esteja sempre à espreita, é preciso colocar na balança o que é mais importante: estar um passo à frente e arriscar um pouco, ou superproteger os dados e inovar mais lentamente. Nossa sugestão é sempre pensar qual é o mínimo que se pode arriscar para que haja aprendizagem e evolução mais rápida. 

Mito nº 7: "É solitário"

Em uma circunstância normal, isso não é tão verdade. Muitas pessoas evitam trabalhar isoladamente e preferem cafés ou coworkings por serem ambientes que oferecem um espaço colaborativo e interação entre pessoas. Trabalhar em coworking ainda tem o bônus de poder conhecer outros profissionais que podem contribuir com o seu trabalho fferecer diferentes perspectivas. 

Agora, em nossa situação atual e com o isolamento obrigatório, tudo isso muda de figura. No meu caso, pelo menos meu marido e eu começamos a ocupar a mesa da sala de jantar, e trabalhar lado a lado. Isso parece criar um ambiente favorável para que um se meta no trabalho do outro, mas nós amamos a experiência por se tratar de algo que não seria possível em um dia normal de trabalho. Felizmente, também não nos importamos em ter uma pessoa do lado falando por vídeo o dia inteiro e conseguimos nos concentrar no nosso trabalho quando isso acontece. Também já ocorreu de namorados e namoradas de colegas aparecerem nas chamadas e começarem a colaborar com nossas ideias, algo que, além de engraçado, contribuiu com maior diversidade de ideias na equipe.

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Em alguns casos, alguns Laboratorians que trabalham sozinhos em casa agora estão se esforçando para compartilhar mais de seu tempo. Na minha equipe, temos feito uma reunião de sexta-feira em que só nos encontramos para conversar e tomar café. Outras pessoas almoçam juntas para reunir-se. E agora o desafio é incluir mais Laboratorians em mais projetos, para que não só vejam sua equipe diariamente, mas também outras pessoas da organização para trabalhar em algum projeto com elas. 

O desafio de enfrentar a solidão não está diretamente ligado ao trabalho remoto, mas sim ao isolamento social.

Mito nº 8: "Os custos de TI aumentam"

Este mito talvez esteja mais relacionado, mais uma vez, à busca pela segurança de dados. Conforme mencionado anteriormente, entende-se que existem empresas que precisam de níveis mais elevados de segurança e portanto não utilizam sistemas criados para se conectar mais facilmente fora da organização. Nesses casos, a ajuda de TI é necessária para criar conexões seguras e VPNs. Talvez até seja necessária a ajuda de um grupo de suporte técnico que esteja disponível caso haja um problema com o computador, os acessos ou um programa específico. 

No entanto, é cada vez mais comum que todas as informações estejam na nuvem e isso significa que o custo de manutenção de servidores físicos tendem a diminuir, abrindo espaço no orçamento para manter os softwares baseados na nuvem. Além disso, muitas vezes quando se tem algum tipo de problema com esses softwares, as pessoas podem entrar em contato diretamente com o provedor, evitando assim a geração de custos com um centro de suporte interno. 

Outro aspecto é que em outras partes do mundo é comum que os colaboradores da empresa usem seus próprios computadores e celulares para trabalhar. Este método é chamado de política BYOD, ou traga seu próprio aparelho (BYOD - Bring your own device). Trata-se de uma maneira muito eficaz para a empresa economizar com esses equipamentos. 

Por fim, a empresa decidirá se o trabalho remoto vai exigir mais de TI ou não, uma vez que se começarem a trabalhar com ferramentas na nuvem e estiverem mais abertas para o seu uso, grande parte do trabalho operacional será reduzido.

Citando o exemplo da Laboratória, apesar de sermos uma empresa pequena, todos os nossos dados estão na nuvem e é por isso que para nós é mais fácil trabalhar onde quisermos. Isso porque disponibilizamos e democratizamos os dados necessários para que os Laboratorians possam realizar suas tarefas com autonomia.

Mito nº 9: "O trabalho remoto é feito 24 horas por dia, 7 dias por semana. Se você trabalha em casa, deveria responder a qualquer hora" 

O formato de trabalho remoto deve acontecer como se você estivesse no escritório. Deve haver hora para entrar e sair, para intervalo e almoço. Não podemos esperar que as pessoas estejam disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas deve-se maximizar o tempo delas. O que recomendamos nesses casos é definir como a equipe vai se comunicar e estabelecer horários. 

Devemos ter em mente que esse isolamento social também representou uma mudança na dinâmica familiar. Os pais e as mães que não podem contar com ajuda externa precisam estar mais presentes na vida de seus filhos. Quem tinha uma pessoa disponível alguns dias por semana para fazer as atividades domésticas, agora terá que fazer tudo sem ajuda. É por isso que não podemos esperar que todos e todas estejam à nossa disposição, inclusive das 9h às 18h.

Uma recomendação, como tem acontecido na Laboratória, é bloquear no calendário os horários em que não estará disponível. Dessa forma, a equipe responsável terá uma ideia melhor se vai poder entrar em contato com você ou não. Consequentemente, isso vai gerar empatia, já que um horário reservado para a "Ida ao médico" ou para o "Preparo do almoço" não deve ser julgado pela equipe, e sim compreendido. Aconteceu comigo esta semana que, ao tentar marcar uma reunião, uma de minhas colegas havia bloqueado esse horário em sua agenda. Isso acabou mexendo comigo e se transformou em um tema de conversa com ela. Achei a ideia tão boa, que notifiquei minha equipe para usarem esse recurso quando tiverem que ir ao supermercado ou fazer qualquer outra atividade.

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Por fim, sempre haverá exceções, mas elas devem ser definidas junto à equipe para avaliarem quais são as situações que justificam uma chamada ao telefone ou mensagem pelo Whatsapp fora do horário de trabalho. A ideia não é que essas situações se tornem um hábito. Devemos respeitar o tempo das pessoas e ter mais empatia dentro do panorama que estamos vivendo em tempos de coronavírus.

Topics: Artigo, Cultura de aprendizagem, Liderança e equipes

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